Cordel Eletrônico

Meus textos, meus contos, minhas insanidades saudáveis.

My Photo
Name:
Location: Brazil

Sou mau, sou bom, sou chato, sou legal, sou otário, sou esperto, sou inteligente, sou burro, sou in, sou out, não aprendo com meus erros, antes de errá-los trocentas e doze vezes...sou homem, sou moleque, sou pés no chão, sou sonhador... sou um esboço de tudo que gostaria de ter sido...... OU NÃO!!!! hahahahaahaha

Friday, October 05, 2007

World Blogger Championship of Online Poker

Online Poker

I have registered to play in the PokerStars World Blogger Championship of Online Poker!

This Online Poker Tournament is a No Limit Texas Holdem event exclusive to Bloggers.

Registration code: 5282681

Thursday, June 28, 2007

O dia em que faremos contato!

Eram elas todas belas
E espiavam da janela

A vida alheia era tão singela
Que tanto interesse havia nela?

Um dia porém aconteceu
Ruiu seu mundo como o meu

De tantas vidas espiar
Esqueceu-se de a sua incrementar

Mergulhou assim na noite fria
De uma existência vazia

Agora elas cá estão
No mesmo manicômio onde jogo botão

Acordaram deste um pesadelo lindo
E enquanto elas voltam eu me findo.

Espero com impaciência e sem fino trato
Pelo dia em que faremos contato!

Monday, June 11, 2007

SAMSARA

Não sou burro!

Que pena, pois só aí já teria resolvido boa parte dos meus problemas e não questionaria os porquês dogmáticos e inquestionáveis do mundo.

Talvez quem sabe até me submetesse ao chefe imbecil e sua sabedoria ocidental do vamos juntar dinheiro, dinheiro é o que interessa, dinheiro é tudo sede não é nada.

A rotina não me seria tão cansativa e já estaria planejando casar e jogar mais pessoas nesse mundo vil.. Levaria a existência careta e seguiria a minha SAMSARA eterna.

Ao invés dessa coisa ridícula de fazer arte e gastar meu tempo com isso, poderia estar a planejar (evitei um gerúndio utilizando a forma portuguesa!!) como comprar o meu apartamento, como obter meu carro, como ter mais para seduzir as belas interesseiras desse mundo...

Mas mesmo assim não troco minha burra inteligência pela sabedoria dos que se rodeiam de confortos que apenas os fazem esquecer a verdadeira essência dessa coisa doida e divertida chamada vida.

Thursday, June 07, 2007

Excrescência

Aflito fingia ser cinza
Intrépido, estranho e razinza

Disfarçando a verdadeira essência
Embaixo da calamitosa excrescência

Tarde descobri serem outros porém
Os problemas tão claros que eles não veêm

Escorriam excrementos pelos aposentos..
E todos felizes em seus julgamentos...

O medo, a morte e a sorte

Não permita que ningúem nem nada trave os seus objetivos e sonhos. Fuja muito mais da inércia que do fracasso, pois ninguém nunca atingiu nada ficando parado.

Não se prenda ao que não lhe traz felicidades. A vida amigo é muito curta e ninguém no leito de morte acha que deveria ter passado mais tempo no escritório ao invés daquele monte de tempo jogado fora com a família e os amigos. Você se surpreenderia com o que o medo é capaz de fazer às pessoas. Não tema a velhice nem a morte, mas tema chegar a elas sem ter vivido o que realmente queria viver!!

Não seja um mero esboço do que poderia ter sido, nem se permita dizer em algum momento "Ah! eu deveria ter feito isso daquela vez mas tive medo..."

Quebre a cara! Faça-me esse favor! Só assim você se arriscará a satisfazer os seus desejos. Não maltrate ninguém, mas pense primeiro no seu bem estar, pois só uma pessoa feliz consigo consegue ajudar os outros. Ou você já viu algum infeliz altruísta?

A sorte pode ser fruto de uma sucessão de eventos, mas ela nunca se apresenta ao medroso.

Decido por isso não temer o ridículo do fracasso. Riam de mim em suas baias com suas contas bancárias forradas e seus carros do ano na garagem. Eu vou assim até o fim, ou quem sabe um dia mudo, não tenho mesmo o compromisso de ser a mesma coisa por toda a vida...

Friday, October 28, 2005

Eflúvios Desconcertantes

Tremendo maconheiro era Asnóbio. Deixava uma ponta em seu banheiro e acendia
enquanto se barbeava. Assim cedo mesmo que era para ir tomar o café da manhã
já no ponto.

Após o café preto e forte que engolia para contrabalançar o tabaco maluco,
saia em disparada para o carro, porque sempre se atrasava no
banho colorido que tomava após a barba.
Esbaforido, entrava no carro e partia. Terno fino, carro do ano, pasta de
executivo endinheirado. Quem olhasse Asnóbio jamais diria dele um fumeta,
afinal maconheiro que se preze tem que andar de chinelo, barba mal feita,
cabelo desconjuntado, olhos vermelhos (que Asnóbio sabiamente evitava com
seu colírio americano.) e tem que ter o pensamento lento.

Asnóbio era o oposto. Inteligente, bem articulado, desses que parecem estar
de ótimo humor numa segunda de manhã. Asnóbio gostava de acender o segundo do
dia ouvindo as notícias da manhã. O colírio era uma maravilha.
Impressionara-se com a sua capacidade de manter os olhos brancos o dia todo
com apenas algumas gotas e comprou logo duas caixas assim que teve
oportunidade.

Chegou ao trabalho a todo vapor. Cumprimentou as secretárias e correu a sua
sala. Logo já estava absorto em problemas presidenciais de todas as
espécies. Após fumar dois baseados antes das nove, resolvia todos os pepinos
com uma velocidade impossível para um maconheiro normal.Asnóbio era o
presidente da multinacional.

Não é preciso dizer que após o fausto almoço, afinal ganhava bem e podia se
dar a esses luxos, acendia uma trolha de respeito. Possuía até um esquema
com o zelador da garagem, que emprestava uma salinha lá dos fundos, onde
nada acontecia, em troca de algumas puxadas. Falaremos (Há mais de uma
pessoa falando?) deste ser ignóbil e ignorante adiante. Zé Lara era o seu
nome.

Seria Asnóbio um doidão levando uma vida capitalista que detestava, ou um
capitalista levando uma vida de doidão que adorava?

O certo é que Asnóbio dava conta. Dava tanta conta que sobrava até tempo
para dar um trato na estagiária gostosa do vice-presidente. Asnóbio aplicava
a conversa mole em todas as mulheres da empresa. Se fosse americano já teria
sido eletrocutado por assédio sexual (eletrocutam por qualquer coisa lá,
ainda mais essa.).

Não entrarei aqui nos detalhes de suas noites, mas posso afirmar que Asnóbio
gostava de fumar mais um lá pelas onze.

Mil maravilhas (exceto para seus pulmões talvez.).

Zé Lara, o Zé Lador, era o oposto de Asnóbio. Fumava aquela maconha forte e
desarvorava. Batia carro de madame (Zé acumulava também as funções de
manobrista se precisasse), ria da cara dos engravatados, esquecia bituca de
cigarro em cinzeiro de carro estacionado. O chefe de Zé Lara, conhecido como
Tio Sam, já estava desconfiado de que aquele filho de uma virgem andava
aprontando alguma.
Foi atrás dele na hora do almoço. Acompanhou-o com os olhos enquanto ele
devorava um fígado com ovo, feijão e arroz. Viu Zé pedir uma caninha
digestiva, e pensou ter encontrado o problema.

Enquanto o zelador voltava para o posto, Tio Sam o seguia a distância.
Rumaram para o terceiro subsolo, onde se escondeu para ver o que Zé faria a
seguir. Imaginou que o filho de uma profissional da noite iria se masturbar
ou algo assim (não me pergunte o que seria o algo assim nesse caso.), pois
já o havia flagrado mais de uma vez, e mesmo tendo sido avisado que se
voltasse a descascar uma seria demitido, Zé Lara não se agüentava. Meu reino
por uma punheta devia pensar. Surpreendentemente Tio Sam viu o presidente da
empresa.
Percebeu que conversavam com intimidade e logo os viu em direção a uma
salinha lá do fundo da garagem. Agora sabia de tudo. Zé Lara, filho de pai
capado, estava tendo um caso com o presidente da empresa. Ele já havia
desconfiado daqueles ternos chiques e diferentes do homem. Talvez por isso
Zé estivesse trabalhando tão mal ultimamente. Amor.

Esperou os dois entrarem, e foi obrigado a contar a novidade para todos os
manobristas. Sua língua coçava e além do mais é sempre gostoso aprontar para
cima de um sacana milionário presidente desses.

Asnóbio, após fumar o pós-almoço com a ajuda de Zé Lara, continuou seu
trabalho normalmente e foi para casa. Não viria a empresa no dia seguinte,
pois teria um compromisso na filial do Rio.

Neste fatídico dia em que esteve fora, toda a empresa descobriu seu segredo.
Sempre recusava o almoço com os colegas, saía metodicamente no mesmo horário
para a refeição, e, invariavelmente comia ali por perto para voltar logo.
Tudo se clarificou. Asnóbio é bicha, concluiram bovinamente.

- Mas eu transei com ele! Pensou a estagiária do vice-presidente,
evidentemente em voz baixa.

- Vai ver é bissexual! Seu cérebro neste momento estava tão abismado quanto
os outros.

Quando voltou ao escritório, Asnóbio percebeu risinhos dos manobristas.
Entrou na empresa e todos tentaram fingir que estava tudo tão bem, que logo
desconfiou de algo estranho. A estagiária do vice, aquela beldade de
faculdade, não procurou disfarçar. Olhava Asnóbio com espanto perceptível.

Preferiu trabalhar sem se importar muito com isso. Será que esqueceu de
alguma data? A secretária entrou na sala e nem levantou os olhos. Asnóbio
perguntou o que acontecia e ela ficou vermelha e sem graça. Já estava
ficando nervoso com isso. Qual era O problema afinal? Encurralada, ela
resolveu contar. Sua língua coçava mesmo, e além do mais queria ver a cara
daquele milionário cheio de ternos e carros caros depois que soubesse. Tendo
em falta dinheiro para guardar de seu pífio salário, ela investia em
rancores que davam bom retorno percentual e aumentavam
consideravelmente com o passar dos
anos.

- Descobriram o senhor com o Zé Lara no subsolo anteontem!

Asnóbio gelou. Descobriram que eu sou maconheiro ora bolas! É isso. Dancei.
Logo mais os acionistas vão pedir minha cabeça! Zelador falastrão maldito!
Manteve a calma e desfaçatez.

- Descobriram o que? Tentou uma sábia ignorância, mas foi pego de surpresa
pela excrescência da resposta.

- Que os senhores têm um caso! Ele até parou de vir ao trabalho depois que
tudo veio à tona.

Zé Lara não vinha desde o dia anterior. Assim que começou a ser gozado pelos
manobristas e soube do episódio, Zé Lara percebeu a sinuca de bico em que se
metera. Como dizer a verdade afinal?
Zé Lara se mandou, jurando um dia acertar as contas com Tio Sam, que era o
inventor da história segundo o pessoal. Zé Lara não se conformava com o fato
dele nem ter vindo perguntar nada e já ter saído contando suas fantasias
como se fossem de outrem.

Asnóbio também percebeu o perigo. Se dissesse a verdade, o que aconteceria?
Acreditariam? Asnóbio, esnobe, passou por todos sem olhar para os lados e
foi pensar no grave caso enquanto fumava o baseado que deveria ser o do
almoço.

Recebeu uma ligação do presidente do conselho de acionistas, que era como um
pai para ele. Doutor Jivago já passava dos setenta e tantos. Jivago não teve
coragem de comentar o caso, mas deu pistas. Deu a entender na verdade que o
cargo de Asnóbio estava mantido. Pegaria muito mal para a empresa demitir ou
rebaixar algum funcionário por suas opções sexuais.
Bem-vindo a era do politicamente correto!

Asnóbio percebeu que poderia ficar simplesmente quieto. Não o demitiriam,
mas pensariam que ele era chegado. Apesar deste conforto, não poderia
admitir algo assim. Era o presidente da empresa, e pior, era hétero.Resolveu
convocar uma reunião bem cedo no dia seguinte para contar a verdade aos
diretores. Os outros saberiam em seguida através da fofocaria generalizada
que começaria assim que a reunião acabasse.

Chegada à reunião. Todos fingindo normalidade apesar da pauta do
dia.Asnóbio, apesar do complexo intercurso que se seguiria, havia mantido a
rotina diária e acendido a ponta de barbear e o cigarrinho das notícias. O
colírio era realmente muito bom. Ninguém haveria de perceber nada, mas ele
nem estava preocupado com isso.Percebeu que seria difícil contar a verdade,
a mentira estava depositada nas cabeças das pessoas e percebeu isso pelo
modo como olhavam-no. Tomou ar e começou.

Explicou que "apenas" fumava maconha com Zé Lara após o almoço, e que essa
história de que tinham um caso não fazia o menor sentido. Explicou que
precisava fumar assim bastante porque era hiperativo, lenda para ver se
comovia. Contou toda a verdade, que a essa altura já não passava de mentira
deslavada.Entreolharam-se boquiabertos e céticos quando Doutor Jivago, que
até então apenas observava a decadência da raça humana nas gerações mais
jovens de empregados, emendou:

- Você está estressado com essa história Asnóbio! Vá para casa e tome um bom
banho, relaxe até segunda-feira, que conversaremos semana que vem.

Tentou em vão retrucar, mas todos começaram a sair.Risadas normais em um dia
de trabalho anormal. Grandes atores esses empregados. Fingem que são
trabalhadores, mas são uns bandos de preguiçosos. O homem é preguiçoso por
natureza. Carro, avião, elevador, escada rolante, controle remoto, internet,
talher de peixe, perfume.

Após mais alguns devaneios arrumou suas coisas e se despediu do pessoal.Foi
demitido por telefone horas depois. Jivago comunicou-lhe em nome do
conselho, que nunca o aconselhou sobre nada. Seu emprego seria mantido, mas
após a reunião encontraram a desculpa que precisavam para
afastá-lo.Problemas de saúde.

Não sabia se a culpa era da erva do cão ou do sacripanta do Zé Lara, mas
sabia que ainda voltariam a ouvir falar de Asnóbio, que a essa altura já
possuía fama de bicha maconheira pelos sete andares do luxuoso prédio
comercial.